terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Quebrando o galho
O apagão (como estão se tornando vulgares, esses cortes de energia, de 10 anos para cá...) que deixou boa parte da Cidade do Rio de Janeiro e alguns municípios da Baixada sem luz na manhã desta terça 24, paralisando transportes e deixando até o Aeroporto Internacional Tom Jobim no escuro, foi provocado por corte de galhos de árvores.
Em Lídice, um distrito de Rio Claro, município distante 170 quilômetros da capital fluminense!
É poda, mesmo.
Boas Tardes!
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ConCidadão
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domingo, 11 de dezembro de 2011
História adulterada
(carta enviada ao 'Fale conosco' do jornal O Globo, em 11 de dezembro de 2011)
Como torcedor do Flamengo, carioca e Profissional de Comunicação Social, acho repudiável a decisão do Globo de adulterar - esse é o termo - o conteúdo do encarte 'O Globo Esportivo' comemorativo da conquista do Mundial de Clubes de 1981, com o intuito de esconder a publicidade da época. O jornal, tal como foi editado, é um documento e a mudança pode ser inclusive tipificada como falsidade ideológica (tipo de fraude criminosa que consiste na adulteração de documento, público ou particular, com o fito de obter vantagem - para si ou para outrem - ou mesmo para prejudicar terceiro), definida pelo artigo 299 do Código Penal.
Como torcedor do Flamengo, carioca e Profissional de Comunicação Social, acho repudiável a decisão do Globo de adulterar - esse é o termo - o conteúdo do encarte 'O Globo Esportivo' comemorativo da conquista do Mundial de Clubes de 1981, com o intuito de esconder a publicidade da época. O jornal, tal como foi editado, é um documento e a mudança pode ser inclusive tipificada como falsidade ideológica (tipo de fraude criminosa que consiste na adulteração de documento, público ou particular, com o fito de obter vantagem - para si ou para outrem - ou mesmo para prejudicar terceiro), definida pelo artigo 299 do Código Penal.
Muitas das propagandas veiculadas dizem respeito ao feito e ajudam a contar a história de uma época. Uma pena que a imprensa tenha passado a usar desse expediente, nesses tempos que se pretendem 'politicamente corretos'. Borram-se logomarcas de lojas e até etiquetas de roupas de entrevistados, a título de não fazer propaganda gratuita de uma determinada marca. Esse exagero vem atingindo os limites mais idiotas e contribuindo para a desacreditação do que o jornalismo informa.
Dá para lembrar a famosa frase de Luís Fernando Veríssimo, cunhada em outro contexto, mas que torna-se perfeita para ilustrar situações assim. 'Às vezes, a única coisa verdadeira num jornal é a data', pontificou nosso grande escritor.
E O Globo, o que faz como contribuição ao futuro: escreve a História conforme ela acontece de verdade, ou segundo seus interesses particulares, travestindo a defesa de seus pontos de vista como 'política editorial'?
Boas Tardes.
ConCidadão
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sábado, 24 de setembro de 2011
Fracasso em alto e bom som: Fetranspor e Prefeitura desafinam geral no planejamento de mobilidade para o Rock in Rio
Os portadores de bilhetes de 'primeira classe', vendidos pela Fetranspor a R$ 35 (ida e volta) para transporte diferenciado à Cidade do Rock acusam a federação - que congrega os dez sindicatos das empresas de ônibus no âmbito do Estado do Rio - de quebra de contrato. Nesta sexta 23, estreia do Rock in Rio, os ônibus que fazem esse serviço, que deveriam transportar somente os passageiros que compraram previamente os bilhetes, passaram também a vender passagens na hora, a R$ 20, para o trajeto de ida. Esses passageiros extras 'foram autorizados pela Fetranspor a viajar em pé', conforme relata O Globo Online, o que é proibido nos frescões, de acordo com o regulamento de transportes coletivos da Prefeitura.
Segundo uma passageira denunciou ao jornal, o percurso de algumas linhas foi alterado, com o objetivo de embarcar mais passageiros. Alguns transtornos chegaram a ser registrados nas longas filas de embarque. A Fetranspor, por sua vez, escuda-se no argumento da grande demanda registrada neste primeiro dia de festival, além dos engarrafamentos que impediriam o retorno rápido dos ônibus para mais viagens. A entidade revelou que fará uma reunião na manhã deste sábado, para estudar uma solução para o problema.
O publicitário Carlos Mayrink é mais um dos passageiros indignados com esse desrespeito ao usuário. Além de relatar o fato pelo chat do portal da Fetranspor e escrever ao jornal O Globo a respeito, ele está ampliando sua denúncia através das redes sociais. E conclama outros usuários a 'botar a boca no trombone', engrossando o rol de reclamações.
Os dias de ontem - quinta 22, 'Dia Mundial sem Carro' - e hoje, primeiro do Rock in Rio, são emblemáticos para nos lembrar de que esta é uma cidade sem transporte coletivo decente. O metrô é incipiente em sua área de abrangência; e o trem, embora geograficamente bem disperso sobre a malha urbana, não atende satisfatoriamente. Resta a 'solução' em que se vem teimando há décadas, mas que não mereceu, no Rio, a evolução alcançada no mundo inteiro: o ônibus. Continuam a ser obsoletos, desconfortáveis e inadequados, prestando um péssimo serviço à população e parecendo cumprir apenas o papel de enricar operadores argentários e agentes públicos desonestos.
O usuário do sistema de transporte público por ônibus do Rio de Janeiro deixou de ser 'passageiro' para ganhar outra denominação, em virtude da dependência do serviço e do tratamento que recebe das empresas: refém.
Enquanto isso, a interdição de vias públicas - avenidas Embaixador Abelardo Bueno e Salvador Allende - em prol da realização de um evento privado, pago, sem benefício direto para quem é atingido pelas restrições de acesso, demonstra o despreparo do Poder Público e faz o cidadão temer pela sua liberdade de ir e vir. Por que não planejar um esquema decente de circulação nesses locais, incluindo engenharia de tráfego e transporte público (coletivos e táxis) e reforçando dignamente a fiscalização de trânsito, em vez de simplesmente fechar as portas das casas de quem nada tem com o festival?
O usuário do sistema de transporte público por ônibus do Rio de Janeiro deixou de ser 'passageiro' para ganhar outra denominação, em virtude da dependência do serviço e do tratamento que recebe das empresas: refém.
Enquanto isso, a interdição de vias públicas - avenidas Embaixador Abelardo Bueno e Salvador Allende - em prol da realização de um evento privado, pago, sem benefício direto para quem é atingido pelas restrições de acesso, demonstra o despreparo do Poder Público e faz o cidadão temer pela sua liberdade de ir e vir. Por que não planejar um esquema decente de circulação nesses locais, incluindo engenharia de tráfego e transporte público (coletivos e táxis) e reforçando dignamente a fiscalização de trânsito, em vez de simplesmente fechar as portas das casas de quem nada tem com o festival?
Para a Copa e os Jogos Olímpicos, nos resta, assim, ir de BRS e de BRT, o velho sistema que os marqueteiros do Transporte vêm maquiando para vender como ideia nova.
Eles vendem. O pior é que a gente compra.
Eles vendem. O pior é que a gente compra.
Boas Noites!
ConCidadão
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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
A palavra é...
Vivemos hoje em dia, com cada vez maior intensidade, a praga do terminologismo. Esse vocábulo, que por sua vez é um neologismo, uma palavra nova cunhada por mim mesmo, significa a mania de se inventarem palavras ou expressões novas para expressar conceitos que já estão consolidados na mente de todos, com termos já tradicionais e de compreensão muito melhor. É uma espécie de reinvenção da roda, poucas vezes com respaldo realmente técnico, mais para a satisfação da vaidade dos inventores.
Por exemplo: quando eu era criança (mesmo sendo isso no século passado, não faz tanto tempo assim), algumas das outras crianças, que eram pobres, eram simplesmente crianças pobres. Simples, não? Pois agora são menores carentes, uma designação aparentemente mais técnica, embora também pobre de humanidade, no sentido da compaixão que a condição naturalmente desperta. Juizado de Menores, aliás, virou Juízo da Infância e da Adolescência, data venia, uma desnecessidade absoluta: infantes (crianças) e adolescentes são os únicos possíveis subconjuntos de 'menores' e desmembrar torna-se inútil. Ademais, verdade que são duas raças que não têm 'juízo' mesmo...
A propósito dos pobres, ainda, as pessoas na situação de pobreza são agora redefinidas pelo terminologismo da linguagem oficial do Serviço Público como hipossuficientes. A eles, talvez seja menos ofensivo serem chamados, apenas, de pobres. Como no passado. Ofensa, aliás, também passou a ser chamar favela por esse seu nome específico e bem definido. O politicamente correto (ai, minha Santa Paciência, lá vem ele!) é comunidade, palavrinha tão tomada de assalto para esse significado alternativo, a ponto de as pessoas evitarem o termo quando se referem a outras comunidades – como a do condomínio, a da rua, a do trabalho, a do clube – com receio de uma interpretação errada: a de que pertencer a uma comunidade torna o sujeito um favelado.
Registre-se que eu nem dou mais orelhas – a moderna nomenclatura médica aboliu os ouvidos – quando o que querem mudar são as partes do meu corpo. Não aceito que me modifiquem contra a vontade. Mas prefiro ficar por aqui, nesse mérito.
E para encerrar a questão, lembro que, quando não são os aspectos político ou técnico da coisa, é a pomba do marketing que cria esse tipo de monstro terminologista. Hoje em dia, no supermercado, não se compram mais detergente nem sabão em pó: só lava-louças (que, afinal, também é lava-panelas, lava-talheres e lava-tantas-outras-coisas-também) e lava-roupas. Com essa mania das locuções verbais, prefiro nem imaginar como os gênios da mercadologia haverão de chamar 'sabonete íntimo', daqui a alguns anos...
Então, que tal descomplicar, para falar um bom Português?
Boas Tardes!
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ConCidadão
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quarta-feira, 28 de julho de 2010
Firme no volante
Nesta segunda-feira (26), com direito a reprise ontem (27) e também no domingo próximo (dia 1º de agosto), a geração que foi criança e pré-adolescente nos anos 1960 e 1970 foi brindada com um clássico da telinha, que consegue sê-lo apesar de jamais ter sido exibido na televisão. O Vigilante Rodoviário, na versão em cores, filmado em 1978 e tendo o ator Antônio Fonzar como protagonista, foi ao ar no Canal Brasil pela primeira vez. Durante uma hora, o filme que deveria ter sido o precursor de uma nova série do herói das estradas mostra o combate a falsificadores de dólares, no interior de São Paulo.
O primeiro seriado de aventuras genuinamente nacional foi criado e produzido por Ary Fernandes e Alfredo Palácios em 1961, estreando na saudosa TV Tupi em janeiro de 1962. Foi seguidamente ao ar pela própria Tupi e pela TV Globo, em exibições e re-exibições, a última vez já na década de 1970. As perseguições a vilões das mais diversas espécies eram um excelente pano de fundo para a propagação de valores sociais como amizade, respeito, disciplina, moral e ética, além do que o Vigilante tinha a importância de ser uma produção feita no Brasil, por técnicos e atores brasileiros - numa época em que a totalidade dos seriados de tevê feitos em película era estadunidense e ainda não detínhamos expertise nesse tipo de trabalho.
Para regozijo dos admiradores, o Vigilante Rodoviário pioneiro, em preto-e-branco, com Carlos Miranda no papel principal, encontra-se hoje ao alcance em uma caixa com quatro devedês, lançada pela distribuidora Spectra Nova em novembro de 2009. São 35 episódios, dos 38 originais, totalmente remasterizados e telecinados; os outros três, lamentavelmente, se perderam por ação do tempo.
Miranda é, a propósito, um caso interessante na dramaturgia brasileira, da vida imitando a arte. Originalmente membro da equipe técnica, ganhou o papel após um teste. Depois da produção, apaixonou-se pelo trabalho de policial rodoviário, prestou concurso para a Polícia Militar de São Paulo e foi ser vigilante de verdade, profissão da qual é hoje aposentado. Seu companheiro Simca Chambord também saiu de cena e atualmente é guardado como relíquia, carinhosamente, na pequena cidade de Águas da Prata (SP), que faz divisa com Poços de Caldas (MG).
A caixa está nas boas livrarias, por preços que oscilam entre R$ 50 e R$ 60. Também pode-se encomendá-la nos portais de venda pela internet, opção cômoda e fácil, cuja consulta - tanto quanto as aventuras do nosso herói - pode acontecer sem restrição de horário. De noite, ou de dia.
Boas Tardes!
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ConCidadão
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segunda-feira, 5 de julho de 2010
É. Quiçá 2014
Quando Ayrton Senna morreu, em 1º de maio de 1994, um domingo, o Banco Nacional (que veio a 'morrer' não muito tempo depois) correu a retirar de suas agências, um dia depois, todo o material promocional com a imagem do corredor, providenciando uma campanha publicitária alternativa logo em seguida. Hoje, primeiro dia útil após o fiasco de Dunga e dos demais anões – poucos não foram 'pequenos' assim, em especial no jogo contra a Holanda – descontada a própria sexta-feira (2) fatídica, é hora de recolher a bandeira da janela, guardar a blusa da seleção e furar as bolas verdes e amarelas, cujos despojos irão para o lixo em meio a quilômetros de bandeirinhas igualmente festivas. O sonho do hexacampeonato ficou para 2014, aqui mesmo, em casa.
O agora ex-técnico, teimoso como uma mula e lento feito bicho-preguiça em sua capacidade (?) decisória, vai recolher-se ao ostracismo, pelo menos por um certo tempo. Pagar os pecados, quais sejam os erros crassos de sua atuação profissional, dentre eles a escolha de seus comandados e, cabe lembrar, a inabilidade no trato com a imprensa, descontados aqui os excessos também cometidos pelos repórteres. E que não se duvide de que uns e outros cidadãos, de alma rubra, propalem que, ferida em seus brios, foi a Rede Globo que tramou a queda da seleção, só para atazanar o juízo do Dunga. Afinal, para esse grupo, na maioria dos males e pecados do mundo, se não em todos, há de existir o dedo do império dos Marinho.
Agora, começa mais um campeão de audiência em cadeia nacional: as eleições. Serão cinco cargos para os quais escolher – árdua tarefa... – representantes. Eles vão estar nas ruas, nos palanques das praças, nos santinhos que nos querem empurrar nas calçadas e, a partir de agosto, ainda invadirão, sem pedir licença, o sagrado espaço das nossas casas e nossos automóveis, pelas telas de televisão (felizmente existe tevê por assinatura!) e pelas emissoras de rádio (benditos sejam os cedês e aparelhos de MP3!).
Começa 2010 em pleno julho, pondo no colo de cada um de nós, mais uma vez, a responsabilidade pelo futuro do Brasil. Futuro e Brasil que são mesmo nossos.
Feliz Ano Novo!
Bons Dias!
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ConCidadão
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quarta-feira, 16 de junho de 2010
2010 - Inércia - Decência (via Edital)
Dias melhores virão. Saiu, finalmente, o edital para a concessão das linhas de ônibus da Cidade do Rio de Janeiro, no escopo de um trabalho que reorganizará a bagunça que se tornou o emaranhado de itinerários e a profusão da frota. A prefeitura chamou de volta a si – sinceramente, custa-me crer que estava prestes a concedê-la aos pretensos operadores – a prerrogativa, sua e indelegável, ao meu ver, de estruturar o sistema como um todo.
A expectativa é de que desapareçam coletivos na Zona Sul, de boa oferta de transporte, e que sejam alocados outros mais na Zona Oeste, que possui maior área geográfica e operação flagrantemente deficiente. Também é esperada a tão sonhada melhoria no padrão da frota, com veículos com suspensão pneumática, motor traseiro, câmbio automático e direção hidráulica. Ônibus, enfim. Climatização ainda não será um requisito para todos e tração elétrica, lamentavelmente, parece ter sido considerado um aspecto menos importante.
Até o final deste ano, também, deverá ser implantado o bilhete único modal de R$ 2,40 (a tarifa padrão hoje é de R$ 2,35), com a qual se poderá cambiar de ônibus num intervalo de duas horas sem o pagamento de nova passagem. Esta grata e justa novidade deverá mudar a matriz de deslocamentos na cidade, ou seja, os padrões de viagem adotados pelos passageiros. Isto porque, não necessitando pagar uma segunda vez para trocar de condução, o usuário poderá reavaliar seus percursos, valendo-se de opções hoje impeditivas pela dupla tarifa e, com isto, influir na ocupação dos veículos por toda a cidade, norteando a reordenação.
Os donos de empresas de ônibus já tentaram, no passado, duas manobras para evitar que se mudasse o status quo do sistema tal como é ainda hoje. Primeiro, tentaram postergar as permissões, que são autorizações precárias de operação, por mais 40 anos, através da Cãmara Municipal. Depois, interpuseram medidas judiciais para retardar o lançamento desse edital, alegando falhas na sua estruturação. A estratégia, agora, é sensibilizar a Justiça na intenção de que as empresas sejam indenizadas pela prefeitura pelos investimentos já realizados, no caso de se verem excluídas da futura realidade operacional da cidade.
O lançamento do edital é ponto para o Poder Público, que se manteve firme na defesa do interesse da sociedade, zelando pela lisura que a delegação da atividade do transporte público deve ter.
E que bom, que tivemos a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 como indutores.
Boas Tardes!
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ConCidadão
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