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sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Casos, literalmente, de Polícia

  
Esta semana, dois fatos policiais vão deixar registro. Cada um com uma das nossas Polícias (que continuam sendo duas, dissociadas em suas estruturas e comandos, num modelo que parece só existir no Brasil e cuja essência não se consegue compreender nem aceitar). Ontem, quinta 15, pegou fogo a Delegacia de Repressão a Crimes de Propriedade Imaterial (DRCPIM) em São Cristóvão, o que levou à destruição de vasto estoque de produtos piratas estocados. Com a expansão do incêndio, contudo, foram-se também arquivos de duas outras especializadas: a Delegacia de Defesa de Serviços Delegados (DDSD) e a Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA); entre eles, podem estar partes do inquérito que invetiga os ataques aos trens suburbanos, ocorridos ha quase 10 dias. A causa provável do sinistro é um curto-circuito, como de hábito em instalações elétricas malconservadas, mas conta-se com a possibilidade de incêndio criminoso - ou fogo posto, como prefeririam os portugueses.

Criminoso como o ataque à cabine da PM na Praia de Botafogo, na noite do feriado de Nossa Senhora Aparecida (segunda 12), em que o policial de plantão teve a sua arma roubada por ladrões que fugiram de carro. Cabine que já foi alvo de tiros disparados por cinco bandidos, em dezembro de 2006, episódio que rendeu a morte de uma ambulante e ferimentos no policial que prestava serviço.

Aliás, criminoso é também o abandono em que se encontra o prédio da Polícia Civil, na esquina das ruas da Relação e Inválidos, no Centro. Às vésperas do último feriadão e com toda a chuva que desceu no Rio, a sala de guarda de armas e munições ficou simplemente alagada, quase impenetrável. E não somente ela: buracos por todo o telhado fizeram com que chovesse praticamente dentro de todo o edifício, que vem apresentando rachaduras cada vez mais proeminentes e assustadoras. Fruto do descaso com o patrimônio público e, seguramente, por influência da obra de construção dos três blocos comerciais de grande porte, na outra calçada da Inválidos, que vêm causando inclusive a suspensão do abastecimento de água da Polícia. A Defesa Civil, alertada através de chamada dirigida ao Disque-Denúncia, diz que só pode agir – interditar o local, afinal – com autorização do delegado responsável. Mesmo que, não sendo autorizada, persista pairando ameaça constante às vidas daqueles que trabalham (e permanecerão trabalhando, até segunda ordem) no edifício.

Quem a gente chama numa confusão dessas?


Por Deus, sem dúvida. Mas talvez uma ambulância e uma camisa de força já consigam começar a dar ordem nas coisas.

Bons Dias!

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ConCidadão
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